sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Por Toda a Vida - Tomo 1 - O DESTINO

CAPÍTULO 1

Parecia um sonho.

Deitado em uma cama com lençóis de cetim vermelho, um homem a aguardava. O quarto estava inundado em uma luz serena, misturada a uma névoa vinda do incenso que perfumava o ambiente. Ele a percebe chegar, dançando com intensidade, força, vitalidade, êxtase que essa dança proporciona. Uma imagem vem à mente daquele homem: a de uma deusa, dançando com seu olhar tão marcante, capaz de hipnotizar a todos, enquanto o cheiro de incenso de canela envolve a candura envolvente do lugar. A penumbra se faz clara quando ela dança, tamanha sua luz interna; uma luz que transborda, extrapola...
O homem, ao vê-la se aproximar, sentiu seu instinto sobressair-se do seu corpo. Levantou com uma agilidade felina, aproximando-se por de trás e seus braços envolveram-na pela cintura num abraço forte e apertado. Ela rendeu-se ao poder da sua força, força pela qual ansiava...sentir as mãos dele percorrerem-lhe o corpo.
Ela sentiu a boca encostar-se ao seu pescoço, percorrerem pelos ombros. A língua deixava rastos pelas costas. O véu deixou o corpo dela…enquanto o homem a despia devagar, seus seios ficaram envoltos pelas mãos e eram apertados com carinho, enquanto sua boca continuava a percorrer seu pescoço em um beijo apaixonante. Com os braços envolvendo a sua cintura, a boca nos ombros, nas costas, a respiração ofegante sobre o seu pescoço, sentiu-se possuída como por um jaguar negro faminto pela fêmea…
Encostada ao peito dele, ao ventre, sentiu todo o desejo que do corpo dele emanava. Suavemente ela deitou-o na cama e começou a deslizar a ponta de seu nariz pelo corpo já nu desse homem que despertava as mais loucas e intensas paixões.
Sentir o seu perfume despertava seus instintos. O calor e a força do seu corpo eram tudo o que ela desejava nesse instante.
Deitada na cama, ela devolveu o olhar. Aquele era o homem certo. Para sempre. Enquanto admirava seus profundos olhos verdes, em algum lugar distante uma campainha começou a tocar. Ela tentou abraçá-lo, mas seus braços encontraram apenas o vazio. O ruído do telefone acabou despertando-a do seu sonho.
Acordada, olha no relógio ao lado de sua cama e não acredita na hora: 4h06. Ela suspirou, tateou em volta da cama, procurando o telefone que insistia em continuar tocando.

– Alô? – esforçou-se a dizer.
– Oi Giulia, é o Alessio. Eu te acordei?
– Desculpe-me, mas não tem ninguém com esse nome.
– Sério? Me perdoa então moça.

Era engano.
Na verdade ela se sentiu frustrada. Afinal ela era uma mulher bonita, 19 anos, um corpo escultural, olhos verdes, cabelos curto – castanho claros, pele morena de sol e dona de um magnífico sorriso. Daqueles de contagiar a todos que escutam suas gargalhadas. Era uma beleza exótica. Apesar da pouca idade, já era uma mulher independente. Morava a tempos sozinha, longe da casa dos pais. Isso contribuiu para que se tornasse uma mulher com personalidade forte, marcante.
Teve poucos namorados. O que mais a intrigava era descobrir quem era o homem dos seus sonhos. Sonhava com um homem especial para se dar a ele. Sonhava com seu príncipe encantado. Afinal onde estaria ele, sua alma gêmea.
Deitada na cama, no seu quarto de solteira, olhando o teto branco, imaginava o homem da sua vida. Teria de ser alto para combinar com ela, carinhoso e o mais importante: ser charmoso. Assim como esse homem dos seus sonhos. Perdida nesses pensamentos olhava para todos os cantos de seu quarto, sentindo o vazio...sentiu-se sozinha.
Mas hoje parecia ser diferente. O homem dos seus sonhos parecia estar perto, muito mais perto do que em outros sonhos. Hoje parecia ser real. Estava frustrada, pois esperava que fosse ele ao telefone.
Ficou acordada durante horas, esperando que o sono retornasse. Quem sabe assim poderia retornar ao sonho maravilhoso que estava tendo. Mais tarde, naquela mesma manhã, Ísis sentia-se abandonada. Resolveu tomar um banho. Entrou na banheira e afundou a cabeça na água, tentando esquecer o sonho. Descobriu ser impossível. Onde será que ele está? Será esse o homem da minha vida?
Aos poucos, a água quente foi ficando morna, depois fria, quando percebe que já está atrasada para o compromisso que tem hoje. Seus devaneios foram tantos que perdera a hora de sair do banho. Olhou no relógio e se assustou com a hora.
Pela primeira vez tinha a oportunidade de trabalhar como consultora de moda para um grande conglomerado da moda – a Bourguignon Stylist, a mais importante em moda e imagem do mundo. E essa era a oportunidade da sua vida. Não poderia se atrasar.
De pé, enrolada na toalha, Ísis ficou olhando as gotas de água caírem sobre as roupas que havia cuidadosamente separado na noite anterior. Deprimida, foi até o armário pegar outra blusa e uma saia. Rapidamente, teria de escolher agora outro colar e brincos que combinasse com a roupa que acabara de vestir. Sua escolha foi um colar de ouro com um pingente em forma de coração que ganhara da mãe de presente de aniversário.
Enquanto se vestia, ela pensava no que mais poderia dar errado naquele dia.


Em breve iria descobrir.



CAPÍTULO 2

Eu fui tocado pela sua presença desde a primeira vez que a vi.

Foi em uma manhã de primavera, no Caffé Amore Eterno. Ela estava usando um colar de ouro no pescoço, que reluzia com os raios de sol da manhã e aproximou-se de mim perguntando: “será que você conhece onde fica a universidade de Milão?”
Confesso que fiquei sem responder por alguns segundos. Não imagino nem onde meus pensamentos foram parar. Só acordei quando a vi balançando as mãos na minha frente e perguntando novamente: “olá, saberia me dizer?”
Gabriel, quando viu aquela mulher adentrar no Caffé, sentiu algo diferente invadir o seu íntimo. Ele não tinha noção do que era, mas sabia que era muito forte dentro dele.

* * *

Era mais um dia de aula na Universidade de Milão. Gabriel, um rapaz de vinte e três anos, como de costume, é o primeiro a chegar a sua sala de aula para lecionar.
No meado do ano, o professor titular sofreu um acidente de carro que o deixou impossibilitado de trabalhar. Um professor jovem foi chamado às pressas para substituir o professor acidentado. Mesmo com pouca idade, ele era o mais indicado a assumir as aulas. Recém formado em História, era profundo estudioso e conhecedor de história antiga. Autodidata, estudava desde os 13 anos de idade Filosofia e Religião – sempre sobre os olhos da história. Além do conhecimento acumulado, era auxiliar do professor que se acidentara.
Todas as manhãs, antes de ir para a Universidade de Milão, passava no Caffé Amore Eterno para tomar um cappuccino. Essa era sua rotina diária antes das aulas. Sempre pontual.
Mas não hoje.
Estava pensativo. Afinal passou quase toda a noite terminando o projeto educacional que estava prestes a mostrar para o reitor da universidade. Sua esperança – e toda sua perspectiva das aulas para o segundo semestre – estava no aceite dessa proposta.
Sempre que chegava ao Caffé sentava-se na varanda, local onde poderia apreciar as pessoas se movimentando pela cidade, no frenesi de chegarem aos seus compromissos. À tarde, após as aulas, voltava para o Caffé para sentar-se no terraço, de onde poderia ter uma visão mais deslumbrante da cidade e do pôr-do-sol.

Hoje, no entanto, seus pensamentos estavam totalmente agitados.

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